19/05/2015

Enfezamentos Vermelho e Pálido em Milho

Something went wrong. Please try again later...
Planta de milho em estádio inicial

O complexo de enfezamento pode ocorrer em 100% das plantas de uma lavoura de milho no campo causando até a perda total da produção. A incidência dos enfezamentos tem aumentado muito, principalmente em função da permanência de plantas de milho no campo por quase todo o ano, aliada a condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da doença e sobrevivência e multiplicação do inseto vetor.

Os sintomas típicos dos enfezamentos são o avermelhamento ou amarelecimento generalizado da planta e estrias esbranquiçadas, geralmente associadas a outros, que vão depender muito de algumas características genéticas e ambientais. Plantas infectadas podem apresentar proliferação de espigas, espigas deformadas, perfilhamento na base ou axilas foliares, encurtamento de internódios, principalmente acima da espiga, grãos pequenos e frouxos, morte precoce, quebra de colmos, má formação de palha nas espigas (palhas curtas, finas e rasgadas), e colonização de palhas, bainhas e colmos por fungos oportunistas. Estes sintomas podem variar dependendo do nível de resistência do genótipo, da idade das plantas ao serem infectadas e das condições ambientais, principalmente a temperatura.

Planta com folhas verdes

Descrição gerada automaticamente

Garça em meio à vegetação

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Planta de rio

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Os enfezamentos são causados por espiroplasmas e fitoplasmas (classe mollicutes), que infectam o floema das plantas de milho. O enfezamento pálido ou Corn Stunt Spiroplasm se caracteriza por estrias cloróticas claras da base para o ápice das folhas e o enfezameto vermelho ou Maize Bushy Stunt se caracteriza principalmente pelo avermelhamento das folhas, porém, os sintomas podem ser confundidos ou acontecerem ao mesmo tempo no campo devido a presença simultânea de ambos os enfezamentos.

Os enfezamentos são transmitidos por um vetor (cigarrinha) denominado Daubulus maidis. A cigarrinha D. maidis ao se alimentar da planta de milho infectada adquire o fitoplasma ou espiroplasma juntamente com a seiva. Após um período latente de 3 a 4 semanas (dependendo da temperatura ambiente) ela passa a transmití-lo de forma persistente às plantas sadias. A coincidência entre o final de ciclo de lavouras infectadas com início de ciclo de novas lavouras faz com que os insetos vetores migrem para as plantas jovens, disseminando a doença.

A biologia da Daubulus maidis é muito afetada pela temperatura do ambiente, sendo que abaixo de 20ºC aproximadamente, os ovos permanecem viáveis, sem desenvolvimento embrionário e, portanto, sem eclosão de ninfas.

Flor branca e verde

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

As ninfas passam por 5 ínstares e, para completar essa fase, levam cerca de 20 dias a 26ºC, podendo levar mais tempo em temperaturas mais baixas, como também pode passar por menos ínstares, em temperaturas mais elevadas. A longevidade dos adultos é de cerca de 45 dias. O período de incubação do espiroplasma em Daubulus maidis varia de 16 a 30 dias e os sintomas das plantas infectadas aparecem após 4 a 7 semanas (Waquil et al. 2003). A população do inseto cresce muito durante o verão, atingindo seu ápice em meados do mês de março, dependendo da presença contínua do hospedeiro no campo e da região.

O controle do vetor pode ser realizado por alguns inseticidas em tratamento de sementes ou pulverização, entretanto, se existirem focos de infestação próximos, novas populações estarão migrando para o campo diariamente, sendo necessário um monitoramento frequente e a realização de repetidas pulverizações.

Devido ao difícil controle químico, tanto dos insetos vetores como dos mollicutes, a opção é o uso de um manejo integrado da doença. Neste manejo incluem-se operações em que se deve considerar a multiplicação e o desenvolvimento tanto do inseto vetor como do fitoplasma ou espiroplasma. As principais medidas são: o uso de cultivares resistentes, adequação da época de plantio, evitar plantios consecutivos e eliminar plantas voluntárias no campo que possam servir de hospedeiras. É muito importante a combinação de diferentes híbridos para minimizar possíveis prejuízos causados pela doença e evitar a adaptação do patógeno a um híbrido específico.

Sobre o autor

Elcio Alves
Cientista da Pioneer®