O sistema de cultivo de milho consorciado com braquiária é bem difundido e trabalhado pelos produtores da região Centro-Oeste e Norte do Brasil. No entanto, este modelo ainda é pouco explorado na região Sul do país. Este cenário tende a mudar agora com a emissão das portarias 287 e 301 do MAPA, que propõem o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) com datas ampliadas de cobertura do seguro agrícola para o milho safrinha em consórcio com braquiária.
Como destaque, a exemplo para a região Sudoeste do Paraná, o cultivo de milho segunda safra se encerra em final de janeiro, mas pode ser estendida até final de fevereiro, desde que seja cultivado no modelo de milho consorciado com braquiária.
Essa mudança irá incentivar a adoção do sistema consorciado, que trás uma série de benefícios ao sistema produtivo, como, por exemplo, a melhoria de atributos de solo para controlar as plantas daninhas de difícil controle. Mas ao mesmo tempo, nos deparamos com uma carência de informações sobre este sistema, principalmente devido a baixa adoção na região.
Ao longo das últimas quatro safras (até a data de publicação original deste artigo, em 11/12/2020), foram conduzidos trabalhos pela UTFPR, campus Dois Vizinhos/PR, com apoio da Pioneer Sementes, com objetivo de estudar a viabilidade técnica e econômica do sistema soja verão e milho safrinha consorciado com braquiária. Identificando os principais benefícios, formas de implementação e pontos de atenção no manejo do consórcio.
Dentre os principais benefícios do sistema de consórcio milho com braquiária podemos citar:

Imagem 01. Cultivo de soja safra em área milho safrinha com cobertura de braquiária oriunda do consórcio. Foto: Paulo Adami.


Imagem 2 e 3. Elevada biomassa produzida pela Braquiária após colheita do milho. Foto: Paulo Adami.
É importante comentarmos que além dos vários benefícios do sistema de consórcio milho e braquiária, este também apresenta pontos de atenção para sua implementação e condução. Como:

Imagem 3. Distribuidor de sementes miúdas na frente do trator. Foto: Paulo Adami.

Imagem 4. Inicio do desenvolvimento do milho e braquiária.

Imagem 5. Comparativo lado a lado de milho consorciado com braquiária e milho solteiro.
Artigo publicado originalmente em 11/12/2020
Paulo Adame
Produtor rural, Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em produção vegetal. Professor de culturas anuais do Curso de Agronomia e dos programas de Pós-graduação em Agronomia e Agroecossistemas da UTFPR/Dois Vizinhos. Administrador do canal do YouTube – pauloadami que aborda assuntos gerais sobre o manejo de culturas.
José Carlos Cazarotto Madalóz
Engenheiro Agrônomo, Mestrado em Produção Vegetal – ênfase em Plantabilidade e Produção Vegetal. Tem atuado nos últimos 12 anos com foco em sistemas produtivos de grandes culturas no Sul do Brasil e Paraguai desenvolvimento técnico de novos produtos e uso de ferramentas digitais a campo. Atualmente, é Gerente Comercial de Agronomia de Sementes na Corteva Agriscience.
Erick Pellizzari
Produtor Rural, Eng. Agrônomo e Mestre formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Dois Vizinhos. Trabalhou como Promotor de Agronomia Crop pela Corteva Agriscience, desenvolvendo protocolos para geração de demanda. Atualmente sócio proprietário da SerAgri Consultoria em Agronegócios, atuando na região Sudoeste como consultor, perito e na elaboração de projetos para aquisição de crédito junto às Intituições Financeiras.
Vanderson Vieira Batista
Produtor rural, Eng. Agrônomo, mestre e Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UTFPR-PB. Desenvolve linhas de pesquisa na área de grandes culturas, pesquisando sistemas de consorciação e sistemas de produção. Atua como perito e projetista pela FUTUAGRO na região Sudoeste do Paraná.