A ferrugem asiática surgiu no Brasil ao final da safra 2001, com perdas relatadas em todas as regiões do país e, desde então, vem gerando preocupação nos sojicultores em decorrência da sua dificuldade de manejo.
A cada ano surgem surpresas relacionadas à eficácia dos fungicidas utilizados no manejo desta doença. Muitas vezes os produtos precisam ser alterados com a inserção de outros mecanismos de ação, alteração nas doses, diferentes intervalos de aplicação e, por vezes, acabam exigindo reentradas frequentes na lavoura. Em função disso, erros estratégicos de manejo podem ocasionar perdas e dificuldade de recuperação financeira às propriedades.
Os danos causados pela ferrugem asiática podem acarretar em perdas de até 90% de produtividade. Nas fotos 1 e 2 é possível visualizar as lesões e a senescência prematura das folhas, o que pode acarretar na diminuição dos grãos e até mesmo na ausência de vagens.
Foto 1: Pústulas de ferrugem na folha de soja
Foto 2: Queda prematura de folhas
Existem algumas estratégias de manejo que contribuem para o controle desta doença. São elas:
Eliminação de plantas de soja voluntárias;
Ausência de cultivo de soja na entressafra por meio do vazio sanitário;
Utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada;
Monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura;
Utilização de cultivares com gene de tolerância à doença;
Utilização de fungicidas no aparecimento dos sintomas ou preventivamente.
Desde o surgimento da ferrugem asiática no Brasil, os danos causados pela doença se intensificaram e as estratégias relacionadas aos produtos, doses e intervalos mudaram completamente. Vejamos no quadro 1, o resumo das fases de controle químico da doença na soja nos 15 anos de epidemia.
Quadro 1: Resumo das fases do controle da ferrugem asiática na soja nos 15 anos de epidemia
A perda da eficiência no controle de determinadas moléculas fungicidas é um processo natural ocasionado, entre outros mecanismos, pela pressão de seleção exercida sobre o fungo, gerada pela utilização massiva e cíclica da mesma molécula, o que acarreta na seleção resistente.
Entendendo a perda de eficiência dos fungicidas, foi preciso mudar as estratégias de aplicações com a finalidade de melhorar o controle da ferrugem asiática, o que elevou os custos de produção ao longo dos últimos anos (quadro 2).
Quadro 2: Evolução dos custos para controle de ferrugem asiática nas diferentes fases com os valores aproximados para cada época em reais, sacos e dólar.
Em vista dos altos preços dos produtos químicos para controle de ferrugem asiática, uma das maneiras de diminuir o custo é optar pela utilização de cultivares de soja com o desenvolvimento mais curto.
Geralmente, a epidemia de ferrugem asiática se intensifica a partir da segunda quinzena de fevereiro. Desta forma, as cultivares mais precoces tendem a proporcionar mais segurança em relação às eventuais perdas (gráfico 2). O menor tempo de exposição no campo pode reduzir até duas aplicações de fungicida.
Gráfico 2: Ciclo das cultivares de soja em dias
Como sugestão de mitigação aos danos causados pela ferrugem asiática, deve-se adotar o Sistema de Combinação de Cultivares (SCC), que tem como objetivo proporcionar o aumento do rendimento médio da propriedade combinando cultivares de soja de diferentes ciclos e características (gráfico 3).
Gráfico 3: Divisão de cultivares na propriedade por ciclos e características - SCC
No SCC, as cultivares são divididas entre os talhões, implicando em menores prejuízos no rendimento caso ocorra deficiência hídrica, excesso de chuvas, ataque de pragas e incidência de doenças em períodos críticos da cultura.
Na foto 3 podemos observar as diferenças de maturidade nas cultivares de soja plantadas em um mesmo dia.
Foto 3:Diferença de ciclo de cultivares de soja semeadas no mesmo dia
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Bernardo Tisot
Agrônomo de Campo na Pioneer®