06/10/2026

Matocompetição: estudo avalia impactos na produtividade e na qualidade da silagem de milho

Alcançar elevada produtividade do milho passa por enfrentar diversos desafios na lavoura, como o controle de pragas iniciais, uniformidade de estande, manejo integrado e, também, a matocompetição. Conceitualmente, esse último fenômeno consiste na competição entre as plantas daninhas e a cultura por recursos essenciais ao desenvolvimento, como água, luz, nutrientes e espaço. No milho, essa disputa pode interferir no crescimento das plantas e, consequentemente, na produção de biomassa e na qualidade da silagem.

Para avaliar os impactos da matocompetição nesse contexto, o time de agronomia da Pioneer® desenvolveu um estudo nas cidades de Rio Pardo/RS e Xanxerê/SC, analisando uma série de fatores. Os resultados demonstraram que a competição com plantas daninhas reduziu significativamente a produtividade do milho, impactando especialmente os estádios iniciais da cultura, comprometendo o acúmulo de biomassa e o desenvolvimento das plantas.

As análises também indicaram impactos na qualidade da silagem, ainda que esses efeitos sejam menos consistentes na literatura. No estudo, áreas com controle eficiente de plantas daninhas apresentaram maior produção de matéria verde e seca, melhor composição nutricional (com maior proporção de grãos e parâmetros bromatológicos superiores) e maior potencial de produção de leite por área, enquanto a presença da matocompetição agravou o estresse das plantas e reduziu tanto o rendimento quanto a qualidade da silagem.

Os dados - detalhados neste artigo - reforçam a necessidade de realizar um manejo adequado de plantas daninhas, uma prática agronômica essencial para maximizar a eficiência produtiva e nutricional da silagem.

Descrição do estudo

A avaliação foi conduzida durante a safra de verão 2025/26, com o objetivo de analisar os efeitos da competição com plantas daninhas (matocompetição) sobre a produtividade do milho e a qualidade potencial da silagem.

A qualidade da silagem foi estimada a partir de parâmetros bromatológicos, associados à produtividade potencial de leite por tonelada de matéria seca. Já a produtividade foi avaliada com base no volume de silagem produzido por área.

  • Locais: Xanxerê/SC e Rio Pardo/RS
  • Híbrido: P30001PWUE
  • Tratamentos (Imagem 1):
    • Testemunha (com matocompetição)
    • Controle (com manejo de plantas daninhas)
  • Avaliações: produção de massa verde (t/ha), produção de massa seca (t/ha) e parâmetros bromatológicos.

Imagem 1 - Lavoura com manejo de plantas daninhas (A) e com presença de matocompetição (B) | Fotos: Marcos Figueiredo.

Para a caracterização dos efeitos da matocompetição, parte de cada talhão experimental foi isolado do manejo químico, com a utilização de lona plástica durante as aplicações tratorizadas de herbicidas (Imagem 2).

Esse procedimento permitiu expor as plantas das áreas isoladas à competição natural com plantas daninhas, enquanto as demais áreas receberam o manejo convencional. Dessa forma, foi possível comparar ambientes com e sem interferência de plantas daninhas, permitindo avaliar seus efeitos sobre os parâmetros produtivos e qualitativos da silagem de milho.

Imagem 2 - Talhão experimental foi isolado do manejo químico, com uso de lona plástica | Foto: Daian Rozzetto.

Quatro amostras de plantas foram coletadas de forma comparativa nas condições distintas: uma área com controle adequado de plantas daninhas e outra submetida à livre matocompetição. Após a colheita, as amostras foram individualizadas, pesadas, identificadas e devidamente embaladas (Imagem 3). Em seguida, o material foi encaminhado para análise bromatológica, para avaliação da qualidade da silagem produzida.

Imagem 3 - Espigas foram pesadas e comparadas, nos cenários com e sem matocompetição | Foto: Daian Rozzetto.

Resultados

Os dados analisados indicaram um aumento consistente da produtividade nas áreas com adequado controle de plantas daninhas, refletindo-se em maior volume de alimento produzido por área e em elevação do potencial de produtividade de leite por tonelada de matéria seca.

Esse desempenho está diretamente associado à redução da interferência competitiva, que possibilitou maior eficiência no uso de recursos essenciais, como luz, água e nutrientes, favorecendo o pleno desenvolvimento da cultura.

A menor pressão de matocompetição contribuiu para maior interceptação de radiação solar, incremento da área foliar e melhor desenvolvimento do sistema radicular, fatores determinantes para o acúmulo de biomassa e para a formação equilibrada dos componentes estruturais da planta.

Como consequência, observou-se melhora nos parâmetros produtivos da silagem, como a produção estimada de leite (L/t de MS) (Gráfico 1). Esse comportamento foi consistente nas duas áreas avaliadas, com crescimento de 6,76% na produção estimada em Xanxerê e 37,89% em Rio Pardo, na comparação entre os trechos com e sem matocompetição.

Gráfico 1 - Produção estimada de leite (L/t de MS) Milk2006 em milho para silagem, sob condições com e sem matocompetição. Valores representam médias. Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de LSD (p ≤ 0,05). Xanxerê/SC (A) CV: 3,57 e Rio Pardo/RS (B) CV: 7%. | Fonte: agronomia Pioneer®.

Em Rio Pardo/RS, somado ao efeito da matocompetição, houve forte estresse hídrico no estádio R3. Na área em que havia competição com plantas daninhas, foi registrada maior redução de litros de leite (L/t de MS) quando comparado ao mesmo tratamento no ambiente de Xanxerê/SC, onde não houve ocorrência de estresse hídrico. Esse resultado reforça a capacidade reduzida da planta em estado de matocompetição para suportar a escassez hídrica.

Já no tratamento sem matocompetição (com controle adequado de plantas daninhas), os valores da produção estimada de leite (L/t de MS) ficaram próximos - 1.657 em Santa Catarina e 1.681 no Rio Grande do Sul.

Em Rio Pardo/RS, também foram analisados parâmetros de rendimento e qualidade de silagem: massa verde, matéria seca, porcentagem (%) de amido e Digestibilidade da Fibra em Detergente Neutro após 48 horas (% DFDN 48h). Em todos os tratamentos sem matocompetição, com adequado manejo das plantas daninhas, foram observados ganhos frente às áreas em que as plantas de milho competiam com as daninhas (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Massa verde, massa seca, amido e DFDN 48h nas áreas com e sem matocompetição em Rio Pardo/RS | Fonte: agronomia Pioneer®.

O ensaio evidenciou qualidade superior da silagem e maior quantidade de leite produzida por área nas parcelas sem competição com plantas daninhas comparadas às áreas submetidas à matocompetição. A ausência de competição possibilitou maior eficiência no aproveitamento dos recursos ambientais pela cultura, favorecendo o crescimento vegetativo equilibrado e o acúmulo de biomassa e de melhor composição nutricional.

Esse ambiente mais favorável refletiu-se em maior proporção de componentes energéticos da planta, especialmente grãos, e em melhor relação entre os constituintes estruturais, resultando em silagem de maior valor nutritivo. Consequentemente, a melhoria dos parâmetros bromatológicos impactou diretamente o potencial produtivo de leite por área, uma vez que silagens de maior qualidade proporcionam melhor eficiência na conversão alimentar.

Em contraste, nas áreas com presença de matocompetição, a interferência das plantas daninhas comprometeu o desempenho fisiológico da cultura, limitando o acúmulo e a qualidade da matéria seca produzida, refletindo em menor potencial de produção de leite por área (Gráfico 3).

Gráfico 3 - Litros de leite produzidos por hectare (ha) comparando a produtividade com e sem matocompetição.

Conclusão

A redução da competição com plantas daninhas resultou em aumento consistente da produtividade da silagem de milho, evidenciando que o manejo adequado da matocompetição é determinante para maximizar o acúmulo de biomassa e o aproveitamento dos recursos do ambiente pela cultura.

A qualidade da silagem de milho de planta inteira foi superior nas áreas com menor interferência de plantas daninhas, refletindo melhor composição nutricional e maior potencial de desempenho animal, o que reforça o impacto positivo do controle de daninhas além do rendimento físico.

Os resultados confirmam que o manejo eficiente da competição com plantas daninhas é uma prática agronomicamente estratégica, contribuindo diretamente para a melhoria da eficiência produtiva e qualitativa da silagem, fornecendo base técnica consistente para recomendações de manejo mais assertivas.

Milho Enlist®

O manejo de plantas daninhas é uma das decisões importantes para reduzir a interferência da matocompetição ao longo do ciclo do milho. Para apoiar essa estratégia, o P30001PWUE reúne as tecnologias PowerCore® Ultra e Enlist® - biotecnologia exclusiva da Pioneer® - em um híbrido precoce, indicado para produção de grãos e silagem, oferecendo maior flexibilidade para o manejo de plantas daninhas.

A tecnologia oferece tolerância a quatro herbicidas: Enlist® Colex-D® (novo 2,4-D sal colina), haloxifope, glufosinato e glifosato. A combinação amplia as possibilidades de manejo em pós-emergência e de construção da estratégia de controle de plantas daninhas de acordo com as características de cada sistema produtivo.

Autores: Daian Rozzetto, Marcos Figueiredo e Dimas Cardoso, agrônomos de campo Pioneer®.