A estimativa de produtividade de grãos na cultura do milho (Zea mays L.) antes da colheita é uma ferramenta importante para o planejamento da lavoura. A informação pode auxiliar o produtor e o gestor a organizar a logística de colheita, dimensionar a necessidade de máquinas e caminhões, planejar o armazenamento e avaliar estratégias de comercialização.
A estimativa também pode ser utilizada para avaliar o desempenho da lavoura e comparar diferentes estratégias de manejo. Embora a produtividade real só seja conhecida após a colheita e a pesagem dos grãos, métodos baseados nos componentes de rendimento permitem obter uma referência da produção esperada antes dessa etapa.
Para que o resultado seja representativo, no entanto, é fundamental que a amostragem seja feita em diferentes pontos do talhão e considere a variabilidade da área. Quanto maior a quantidade de avaliações representativas, menor tende a ser a influência de uma amostra isolada sobre o resultado final.
A produtividade final do milho resulta da interação entre diferentes componentes de rendimento, que são definidos e consolidados ao longo do ciclo da cultura. O momento em que cada componente é definido ajuda a compreender por que as condições de cultivo ao longo do ciclo podem influenciar o potencial produtivo da lavoura.
Entre os principais estão:
Definido principalmente pela população final de plantas, estabelecida entre os estádios V1 e V5, e pelo índice de espigamento, ou seja, pelo número de espigas viáveis produzidas por planta.
Definido ao longo do desenvolvimento da planta. O número de fileiras é determinado principalmente a partir de V6, enquanto a definição do número de óvulos e grãos por fileira ocorre entre os estádios V12 e R1, período que também envolve a polinização.
Definido principalmente durante a fase reprodutiva, entre R3 e R6, período de enchimento dos grãos. Esse componente sofre influência do híbrido e das condições ambientais e de manejo encontradas durante essa fase. Uma das formas de expressá-lo comercialmente é pelo Peso de Mil Grãos (PMG).
Esses componentes estão relacionados entre si e podem apresentar diferentes níveis de compensação. Por isso, a estimativa deve considerar o conjunto das características observadas na lavoura.
Para realizar a estimativa, recomenda-se que a lavoura esteja no estádio de maturação fisiológica (R6) ou próxima dele (Figura 1). Nesse momento, o número de grãos e o peso final dos grãos estão mais próximos dos valores que serão observados na colheita.
A avaliação deve ser realizada em diferentes pontos representativos do talhão, evitando bordaduras, falhas localizadas e áreas que apresentem condições muito diferentes da maior parte da lavoura.
Figura 1 - Representação dos estádios fenológicos da cultura do milho, desde a emergência (VE), passando pelos estádios vegetativos (V1 a V12) e pendoamento (VT), até os estádios reprodutivos (R1 a R6), com destaque para o desenvolvimento e a maturação dos grãos.
Figura 2 - Espigas em maturidade fisiológica | Imagem: Diego Abreu.
População de plantas/ha = (nº de plantas em 10 m ÷ 10) × (10.000 ÷ espaçamento entre linhas em metros)
Exemplo prático
Em um espaçamento de 0,50 m entre linhas, foram contadas 36 plantas com espigas viáveis em 10 metros.
Aplicação:
O procedimento deve ser repetido em diferentes pontos da lavoura para obter uma média mais representativa da população do talhão.
Figura 3 - Número médio de grãos por espiga é um dos fatores do cálculo | Imagem: Banco de imagens Pioneer®.
No mesmo ponto de amostragem, colete de 5 a 10 espigas consecutivas para evitar a escolha apenas das maiores, o que poderia superestimar o resultado.
Grãos por espiga = nº médio de fileiras × nº médio de grãos por fileira
Exemplo prático
Uma espiga apresentou, em média, 16 fileiras e 35 grãos desenvolvidos por fileira.
Aplicação:
Assim como na avaliação da população, o procedimento deve ser repetido em diferentes pontos do talhão.
O PMG é um dos componentes que pode apresentar maior variação na estimativa, pois é influenciado pelo híbrido e pelas condições encontradas pela lavoura durante o enchimento dos grãos.
Para fins de cálculo estimativo, pode-se utilizar o histórico do híbrido ou uma referência regional compatível com as condições da lavoura. Como referência, o valor pode variar entre 280 g e 360 g (ou seja, 0,280 kg a 0,360 kg para cada 1.000 grãos). Na ausência de dados históricos, pode-se adotar 300 g (0,300 kg) como valor de referência para o cálculo.
Esses valores devem ser considerados como referências para a estimativa, já que o PMG efetivamente observado na colheita pode variar de acordo com o híbrido e com as condições ambientais e de manejo.
Com os três componentes em mãos, é possível calcular uma estimativa de produtividade.
Produtividade (kg/ha) = (população de plantas/ha × nº médio de grãos/espiga × PMG em kg) ÷ 1.000
Nesse cálculo, o PMG deve ser expresso em quilogramas por mil grãos.
Para converter o resultado em sacas de 60 kg por hectare (padrão comercial brasileiro):
Produtividade (sc/ha) = produtividade (kg/ha) ÷ 60
Exemplo de integração dos dados
Esse exemplo utiliza uma população teórica para demonstrar o cálculo. Na avaliação de uma lavoura, o valor utilizado deve ser aquele obtido a partir da amostragem do próprio talhão.
Outro ponto importante na estimativa é considerar a umidade dos grãos. Como o peso do milho varia conforme a quantidade de água presente nos grãos, uma estimativa feita com o produto ainda úmido precisa ser corrigida para uma base de umidade de referência.
Peso corrigido (14%) = peso estimado × [(100 - umidade atual) ÷ (100 - 14)]
Exemplo prático
Se a produtividade estimada foi de 10.000 kg/ha e o milho apresentou 22% de umidade:
A correção permite comparar estimativas realizadas com diferentes teores de umidade em uma mesma base.
Figura 4 - A estimativa pode ser utilizada para avaliar o desempenho da lavoura e comparar diferentes estratégias de manejo | Imagem: Banco de imagens Pioneer®.
A estimativa de produtividade do milho a partir dos componentes de rendimento é uma ferramenta prática para obter uma referência do potencial de produção da lavoura antes da colheita. O resultado, entretanto, depende diretamente da qualidade da amostragem e das condições observadas na área.
Por isso, a avaliação deve considerar diferentes pontos do talhão e evitar que uma área isolada represente toda a lavoura. Também é importante lembrar que o peso dos grãos ainda pode sofrer alterações caso ocorram condições de estresse antes da colheita, como deficiência hídrica, geadas ou problemas fitossanitários que comprometam o enchimento dos grãos.
Dessa forma, a estimativa deve ser utilizada como uma ferramenta de apoio ao planejamento da colheita, do armazenamento e da comercialização, e não como substituta da produtividade efetivamente obtida após a colheita e a pesagem dos grãos.
Autores: Guilherme de Pádua e Diego Abreu, agrônomos de campo Pioneer®.
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