21/09/2026

Pragas iniciais do milho: como reduzir perdas desde a emergência

O milho (Zea mays L.) é uma espécie com ampla capacidade de adaptação e elevado potencial produtivo, sendo cultivado em todas as regiões do Brasil. Devido à sua relevância econômica, a qualidade das sementes e as tecnologias associadas ao seu tratamento têm papel importante no estabelecimento da cultura e na expressão do potencial produtivo (Aguiar et al., 2018).

Entre essas tecnologias, destaca-se o Tratamento de Sementes Industrial (TSI), que utiliza equipamentos de alta precisão para a aplicação uniforme de diferentes produtos, como fungicidas, inseticidas, nematicidas, agentes biológicos, bioestimulantes, micronutrientes e polímeros. A aplicação industrial busca maior precisão nas dosagens e uniformidade de cobertura das sementes (Del Bem Junior, 2017; França-Neto et al., 2015).

No cenário fitossanitário da cultura do milho, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) destaca-se como uma das principais pragas. Seu manejo pode demandar aplicações de inseticidas em pós-emergência, e o uso frequente desses produtos pode elevar os custos de controle e favorecer a pressão de seleção para resistência quando o manejo de resistência não é adequadamente adotado (Harris-Shultz et al., 2015; Carvalho et al., 2013).

Nesse contexto, Dermacor® (clorantraniliprole), inseticida do grupo 28 registrado para o tratamento de sementes de milho, constitui uma ferramenta para o manejo de pragas iniciais, incluindo a lagarta-do-cartucho, quando utilizado conforme as recomendações de bula (CTVA Proteção de Cultivos, 2024).

Eficiência do TSI em milho

O Tratamento de Sementes Industrial (TSI) tem como objetivo proteger sementes e plântulas contra a ação de patógenos e insetos-praga presentes na área de cultivo. Quando corretamente empregado, o tratamento de sementes contribui para o estabelecimento da cultura, condição necessária para a expressão de seu potencial produtivo (Aguiar et al., 2018).

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A qualidade da operação é um fator determinante para o desempenho do tratamento. França Neto, Henning e Yorinori (2000), ao relatarem um caso de fitotoxicidade associado ao tratamento de sementes de soja com fungicida, mostram que efeitos adversos do tratamento podem comprometer a germinação, a emergência e o desenvolvimento das plântulas. No Tratamento Industrial de Sementes, França-Neto et al. (2015) destacam a importância da aplicação precisa, com doses corretas e boa cobertura das sementes.

Para obter um tratamento de alta qualidade, é importante considerar as características e as recomendações de uso de cada produto. No caso de fungicidas para tratamento de sementes, produtos de contato atuam predominantemente na superfície da semente, enquanto produtos sistêmicos podem ser absorvidos durante a germinação e translocados para a plântula (Peske; Lucca Filho; Barros, 2006).

Outro aspecto relevante é o espectro de ação, que varia conforme o ingrediente ativo e os organismos-alvo. Por isso, a escolha dos produtos deve considerar os alvos presentes na área e as recomendações de uso registradas.

A eficiência do Tratamento de Sementes Industrial (TSI) também depende da qualidade operacional do processo, incluindo a precisão na dosagem, a uniformidade de distribuição e a aderência dos produtos aplicados. Esses fatores são importantes para que a dose recomendada seja efetivamente distribuída sobre as sementes (Del Bem Junior, 2017; França-Neto et al., 2015).

Figura 1 - Lagarta-do-cartucho é uma das principais ameaças à cultura | Foto: Zenilson Balem.

Pragas importantes e sistemicidade

A fase de estabelecimento da cultura é uma das mais sensíveis ao ataque de pragas. Espécies como percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus), lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) e coró (Liogenys fusca) podem comprometer o desenvolvimento inicial e, dependendo da espécie e da intensidade da infestação, reduzir o estande ou até exigir replantio. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), por sua vez, merece atenção principalmente por atuar como vetor de molicutes e vírus (Waquil, 2004).

Nesse contexto, em inseticidas com atividade sistêmica, a absorção do ingrediente ativo pela planta pode conferir proteção contra determinadas pragas de solo e de parte aérea nas fases iniciais, conforme o produto e o alvo registrado (Schlosser et al., 2012).

Spodoptera frugiperda

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) está entre as principais pragas da cultura do milho, causando danos expressivos principalmente durante a fase vegetativa. As lagartas alimentam-se das folhas localizadas no interior do cartucho, o que também contribui para dificultar seu controle por pulverizações foliares.

Os primeiros sintomas caracterizam-se por raspagens nas folhas que, com o desenvolvimento das lagartas, evoluem para perfurações e para o aspecto conhecido como "folhas rasgadas" (Suganthi et al., 2022). O ataque pode comprometer o desenvolvimento das plantas e, sob infestações severas, reduzir o crescimento e o rendimento da cultura (Kasoma et al., 2021; Cruz et al., 1999).

Durante a fase reprodutiva, as lagartas também podem alimentar-se dos estilos-estigmas e das espigas. Em condições específicas de avaliação, foram relatadas reduções de rendimento próximas de 58%, com variação conforme o genótipo e o contexto de infestação (Cruz et al., 1999; Chimweta et al., 2020).

O hábito da praga de permanecer protegida no interior do cartucho dificulta a penetração de inseticidas e pode exigir aplicações complementares (Harris-Shultz et al., 2015). Além disso, o uso intensivo de inseticidas favorece a seleção de populações resistentes; por isso, a rotação de mecanismos de ação e outras medidas de manejo de resistência são fundamentais (Carvalho et al., 2013).

Por esse motivo, o manejo no campo deve integrar diferentes táticas, começando pelo tratamento de sementes, associado ao monitoramento da lavoura e, quando necessário, a aplicações em pós-emergência devidamente posicionadas. Ainda que importante, o tratamento de sementes não substitui o monitoramento nem outras medidas do Manejo Integrado de Pragas (CTVA Proteção de Cultivos, 2024).

Nesse contexto, Suganthi et al. (2022) avaliaram diferentes inseticidas utilizados no tratamento de sementes de milho para o manejo da lagarta-do-cartucho. Entre os tratamentos estudados, o clorantraniliprole 625 FS proporcionou a maior proteção contra Spodoptera frugiperda, e as diamidas apresentaram toxicidade persistente até 12-15 dias após a emergência nas condições do estudo. Dermacor® contém clorantraniliprole a 625 g/L e formulação FS, sendo registrado no Brasil para tratamento de sementes de milho contra a lagarta-do-cartucho e outras pragas descritas em bula (Suganthi et al., 2022; CTVA Proteção de Cultivos, 2024). O clorantraniliprole pertence ao grupo 28 e atua como modulador dos receptores de rianodina. A ativação desses receptores promove a liberação de cálcio dos estoques intracelulares, levando à contração e à paralisia muscular dos insetos (IRAC, [s. d.]).

Figura 2 - Danos causados pela lagarta-do-cartucho | Foto: Zenilson Balem.

Conclusão

O controle químico de Spodoptera frugiperda em pós-emergência é amplamente utilizado em diferentes regiões produtoras. Entretanto, o uso frequente de inseticidas pode elevar os custos de controle, e a exposição repetida a um mesmo mecanismo de ação favorece a seleção de populações resistentes, reforçando a necessidade de estratégias de Manejo Integrado de Pragas e de Manejo da Resistência de Insetos (Harris-Shultz et al., 2015; Carvalho et al., 2013).

Nesse cenário, o tratamento de sementes com diamidas pode compor o manejo inicial da lagarta-do-cartucho, contribuindo para a proteção das plantas nas primeiras fases, desde que o produto seja registrado para o alvo e utilizado conforme as recomendações de bula. Associado ao monitoramento da área, à rotação de mecanismos de ação e ao uso criterioso de inseticidas em pós-emergência, o tratamento de sementes pode contribuir para uma estratégia de manejo mais eficiente e sustentável (Suganthi et al., 2022; IRAC, [s. d.]; CTVA Proteção de Cultivos, 2024).

Autores: Vinícius Bezerra e Elói Rodrigues, agrônomos de campo Pioneer®.

 

Referências

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CARVALHO, R. A.; OMOTO, C.; FIELD, L. M.; WILLIAMSON, M. S.; BASS, C. Investigating the molecular mechanisms of organophosphate and pyrethroid resistance in the fall armyworm Spodoptera frugiperda. PLOS ONE, v. 8, n. 4, e62268, 2013. DOI: 10.1371/journal.pone.0062268.

CHIMWETA, M.; NYAKUDYA, I. W.; JIMU, L.; MASHINGAIDZE, A. B. Fall armyworm [Spodoptera frugiperda (J. E. Smith)] damage in maize: management options for flood-recession cropping smallholder farmers. International Journal of Pest Management, v. 66, n. 2, p. 142–154, 2020. DOI: 10.1080/09670874.2019.1577514.

CRUZ, I.; FIGUEIREDO, M. L. C.; OLIVEIRA, A. C.; VASCONCELOS, C. A. Damage of Spodoptera frugiperda (Smith) in different maize genotypes cultivated in soil under three levels of aluminium saturation. International Journal of Pest Management, v. 45, n. 4, p. 293–296, 1999. DOI: 10.1080/096708799227707.

CTVA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA. Dermacor®: bula. Registro MAPA nº 09515. Barueri, SP, 2024. Disponível em: https://www.corteva.com/br/produtos-e-servicos/protecao-de-cultivos/dermacor.html. Acesso em: 9 set. 2026.

DEL BEM JUNIOR, L. Avaliação qualitativa de métodos de tratamento de sementes de soja. 2017. 68 p. Dissertação (Mestrado em Agronomia – Proteção de Plantas) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2017.

FRANÇA NETO, J. de B.; HENNING, A. A.; YORINORI, J. T. Caracterização dos problemas de fitotoxicidade de plântulas de soja devido ao tratamento de sementes com fungicida Rhodiauram 500 SC, na safra 2000/01. Londrina: Embrapa Soja, 2000. 24 p. (Embrapa Soja. Circular Técnica, 27).

FRANÇA-NETO, J. B.; HENNING, A. A.; KRZYZANOWSKI, F. C.; HENNING, F. A.; LORINI, I. Adoção do tratamento industrial de sementes de soja no Brasil, safra 2014/15. Informativo ABRATES, Londrina, v. 25, n. 1, p. 26–29, abr. 2015.

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