A produtividade do milho está diretamente relacionada à manutenção da área foliar funcional ao longo do ciclo da cultura. As folhas atuam como principal fonte de fotoassimilados, sustentando o crescimento vegetativo e o enchimento de grãos. Por isso, manter o dossel verde e ativo por mais tempo é fundamental para a expressão do potencial produtivo dos híbridos.
A perda precoce de área foliar, principalmente nos estádios vegetativos e no início da fase reprodutiva, reduz a atividade fotossintética e compromete a relação fonte-dreno. Como consequência, há menor suprimento de assimilados para as espigas, o que pode resultar em redução no peso de grãos e no rendimento final, mesmo sob condições ambientais favoráveis nas fases seguintes.
Assim, a sanidade foliar passa a ser um dos pilares do manejo voltado à alta produtividade. Práticas bem conduzidas de controle de doenças e pragas, associadas a um manejo nutricional equilibrado, contribuem para prolongar a atividade fotossintética e dar mais estabilidade ao sistema produtivo, favorecendo o melhor aproveitamento do potencial dos híbridos.
Cada folha tem função direta na fisiologia da planta, e sua perda reduz a área fotossintética ativa. Quando esse comprometimento ocorre ainda nos estádios iniciais, o impacto sobre a produtividade pode ser irreversível, especialmente quando está associado à perda de sanidade foliar. Folhas ativas são responsáveis pela produção de carboidratos que sustentam o enchimento de grãos (Imagem 1).
Doenças, pragas e desequilíbrios nutricionais estão entre os principais fatores que reduzem a área foliar no milho, ao anteciparem a senescência e comprometerem o metabolismo das folhas. Entre as doenças, a Bipolaris tem se destacado como uma das principais responsáveis por desfolha nas lavouras, com impacto direto sobre a duração do período fotossintético.
Avaliar o efeito da perda precoce de folhas sobre o rendimento é essencial para orientar o manejo. Estratégias que priorizam a proteção da área foliar tendem a melhorar a eficiência fotossintética e dar mais estabilidade ao sistema produtivo, favorecendo o melhor aproveitamento do potencial produtivo da cultura.
Imagem 1 - Folhas de milho captando energia luminosa | Foto: Daian Rozzetto.
O estudo foi conduzido na área experimental da Copercampos, em Campos Novos, durante a safra de milho verão 2024/25. A semeadura foi realizada em 11 de setembro de 2024.
Utilizou-se o híbrido P3016VYHR, em delineamento de blocos casualizados, com quatro níveis de desfolha manual no estádio V10: zero, 4, 6 e 8 folhas basais removidas. O experimento contou com quatro repetições, com o objetivo de mensurar o impacto da redução precoce da área foliar sobre a produtividade do milho (Figuras 1 e 2).
Figura 1 - Delineamento experimental | Foto: Daian Rozzetto.
Figura 2 - Remoção das folhas mais próximas ao solo em V10 | Foto: Daian Rozzetto.
O aumento da intensidade de desfolha no estádio V10 resultou em redução progressiva da produtividade, reforçando a relação direta entre rendimento e manutenção da área foliar.
A relação entre desfolha e produtividade foi confirmada pela regressão polinomial, com elevado coeficiente de determinação (R² = 0,98). Os dados indicam redução média de 12,8 sc/ha para cada folha removida nesse estádio (Gráfico 1).
Gráfico 1 - Produtividade em relação à redução de área fotossintética, regressão polinomial | Fonte: estudo conduzido pela agronomia Pioneer®.
Imagem 2 - Avaliação de danos a partir da redução da área fotossintética | Foto: Daian Rozzetto.
A comparação de médias mostra que os maiores rendimentos foram obtidos nos tratamentos com menor remoção de folhas, destacando o papel das folhas basais na manutenção da atividade fotossintética e no suprimento de assimilados para as espigas. A desfolha em V10 resultou em reduções estatisticamente significativas na produtividade (Gráfico 2).
Gráfico 2 - Produtividade em relação à redução de área fotossintética, teste de Tukey, significância 0,05, CV 9,2 %, observações: 16 | Fonte: estudo conduzido pela agronomia Pioneer®.
Os efeitos também são visíveis a campo. O aumento da desfolha no estádio V10 está diretamente associado à redução no tamanho das espigas, refletindo a limitação no enchimento de grãos, conforme observado nas avaliações visuais do experimento (Figuras 3 e 4).
Figura 3 - Redução do tamanho de espigas em função da perda de área foliar | Foto: Daian Rozzetto.
Figura 4 - Redução do tamanho de espigas em função da perda de área foliar | Foto: Daian Rozzetto.
Os resultados confirmam a relação direta entre a preservação da área foliar e a produtividade do milho, com maior impacto quando a desfolha ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento. A redução da área fotossintética limita o suprimento de fotoassimilados para as espigas, refletindo em menor enchimento de grãos e queda no rendimento. A perda precoce de folhas também pode afetar a integridade dos colmos, aumentando o risco de acamamento e de perdas na colheita.
Do ponto de vista de manejo, a proteção da sanidade foliar deve ser tratada como prioridade ao longo do ciclo. Isso envolve a escolha de híbridos com bom nível de tolerância a doenças, o manejo adequado da fertilidade e o uso criterioso de fungicidas, sempre integrado a práticas como a rotação de culturas. Esse conjunto de decisões contribui para maior estabilidade produtiva e melhor aproveitamento do potencial dos híbridos.
Jose Madalóz, gerente de agronomia Pioneer® - Sul;
Daian Rozzetto, agrônomo de campo Pioneer®.
Clique AQUI para acessar o PDF do artigo completo.