08/09/2026

Fatores agronômicos de manejo na construção da produtividade do milho

Os fatores agronômicos de manejo estão presentes nas decisões tomadas diariamente no campo e podem favorecer ou limitar a expressão do potencial produtivo do milho. Seus efeitos dependem da interação entre a genética, o ambiente de produção e as práticas adotadas ao longo do ciclo.

Entre esses fatores estão o posicionamento do híbrido, a densidade de plantas, o espaçamento entre linhas, o manejo da fertilidade e da adubação, o manejo fitossanitário e o uso de especialidades. A resposta a cada prática, no entanto, pode variar conforme o híbrido e o ambiente de produção. Além disso, o efeito observado com uma medida isolada pode se modificar quando ela é associada a outras estratégias de manejo.

Para avaliar a resposta de híbridos com diferentes perfis a essas combinações de manejo, o time de agronomia da Pioneer® conduziu um estudo com milho de verão no Paraná. O trabalho considera as ferramentas de diagnóstico disponíveis em cada propriedade e avalia híbridos Pioneer® em diferentes níveis de manejo.

O estudo integra o projeto P de Produtividade, que organiza esses fatores em cinco níveis cumulativos, associados a faixas crescentes de produtividade e representados em forma de pirâmide (Figura 1). As faixas apresentadas servem como referência para os ambientes avaliados e não representam uma progressão automática, pois a resposta depende da interação entre os fatores em cada situação.

Figura 1 - Pirâmide da Máxima Produtividade, do projeto P de Produtividade.

Objetivo

O objetivo do trabalho é identificar, entre os fatores avaliados, quais apresentam as melhores respostas para cada híbrido estudado, criando uma ordem de prioridade para a escolha. Como resultado, busca-se personalizar as sugestões de manejo com base em um material ou grupo de materiais, aumentando a assertividade das ações na lavoura.

Material e métodos

O estudo foi conduzido em São Mateus do Sul/PR, na safra 2025/26, em uma área situada a 900 metros de altitude. Os híbridos avaliados foram P25300PWU, P3016VYHR e P39209PWU. O trabalho foi instalado em 25/09/2025. Com base nas ferramentas de diagnóstico e na programação do produtor, foram escolhidos três fatores agronômicos de manejo. Dessa forma, os tratamentos avaliados (Figura 2) foram:

  • T1: padrão do produtor (PP);
  • T2: T1 + B;
  • T3: T1 + N;
  • T4: T1 + POP;
  • T5: empilhamento de T1, T2, T3 e T4, intitulado “TF”.

Foto 2 - Descrição dos tratamentos avaliados.

Avaliações

Para o estudo de cada fator agronômico de manejo, foram realizadas avaliações ao longo do ciclo dos híbridos (Tabela 1).

Tabela 1 - Avaliações, metodologia e estádios fenológicos do milho em função de cada fator agronômico de manejo.

Resultados

Os resultados das avaliações de clorofila e boro na folha, nitrogênio e proteína nos grãos e componentes de rendimento são apresentados nas Tabelas 2 e 3.

A produtividade dos híbridos em cada tratamento, corrigida para 14% de umidade, é apresentada nos Gráficos 1, 2 e 3.

Tabela 2 - Resultados da leitura de clorofila e do teor de boro na folha e dos teores de nitrogênio e proteína nos grãos, por híbrido e tratamento.

 

Tabela 3 - Resultados da população final de plantas e dos componentes de rendimento, por híbrido e tratamento.

 

Gráfico 1 - Produtividade de grãos (kg/ha) do híbrido P25300PWU nos diferentes tratamentos, corrigida para 14% de umidade.

 

Gráfico 2 - Produtividade de grãos (kg/ha) do híbrido P3016VYHR nos diferentes tratamentos, corrigida para 14% de umidade.

 

Gráfico 3 - Produtividade de grãos (kg/ha) do híbrido P39209PWU nos diferentes tratamentos, corrigida para 14% de umidade.

Discussão

Na leitura de clorofila do híbrido P25300PWU, os tratamentos T2 e T3 apresentaram valores superiores a T1. Quando comparados ao empilhamento dos fatores em T5, no entanto, T2 e T3 apresentaram resultados estatisticamente semelhantes. No P39209PWU, também foram observadas leituras superiores em T2 e T3 em relação a T1, enquanto T5 apresentou resultado intermediário.

A resposta foi diferente no P3016VYHR. Nesse híbrido, T1, T2, T3 e T5 apresentaram leituras de clorofila semelhantes, enquanto T4 apresentou valor inferior aos demais tratamentos.

Os teores de nitrogênio e proteína nos grãos apresentaram variações numéricas entre os tratamentos. Considerando T3, no qual houve o acréscimo de nitrogênio, o P25300PWU e o P39209PWU apresentaram valores numericamente superiores aos observados em T1. No P3016VYHR, os valores de T3 ficaram próximos, mas numericamente abaixo dos registrados em T1. 

O aumento dos teores de nitrogênio e boro na planta já era esperado, mas não ocorreu da mesma forma em todos os híbridos. Na avaliação do teor foliar de boro, T2 apresentou valor numericamente superior a T1 nos híbridos P25300PWU e P3016VYHR. No P39209PWU, entretanto, o valor observado em T2 foi inferior ao registrado em T1 (Tabela 2).

Os componentes de rendimento em função dos fatores agronômicos de manejo são apresentados na Tabela 3. Para o P25300PWU, não foram observadas diferenças no número de fileiras por espiga nem na massa de mil grãos. Para o número de grãos por fileira e por espiga, T3 apresentou valores superiores a T5, enquanto os demais tratamentos apresentaram resultados intermediários e não diferiram de ambos.

Ao comparar T4 e T1 no P25300PWU, observa-se que o aumento da população final de plantas não reduziu os componentes de rendimento avaliados por espiga. Esse comportamento pode favorecer um maior número de espigas por hectare, desde que o estabelecimento das plantas resulte em espigas produtivas.

No P3016VYHR, não foram observadas diferenças no número de fileiras por espiga, no número de grãos por fileira nem no número de grãos por espiga. Houve, contudo, diferença na massa de mil grãos. Os tratamentos T4 e T5 apresentaram maior população final de plantas e menor massa de mil grãos em relação a T1. Esse resultado indica uma possível compensação entre o aumento da população e a massa individual dos grãos.

No P39209PWU, T4 e T5 também apresentaram maior população final de plantas. Apesar disso, não foram observadas diferenças no número de fileiras por espiga, no número de grãos por fileira, no número de grãos por espiga ou na massa de mil grãos. Nas condições avaliadas, portanto, o aumento da população não alterou significativamente os componentes de rendimento determinados por espiga.

Imagem 1 - Área de estudo, São Mateus do Sul/PR.

 

Produtividade

Na análise conjunta, foram observadas diferenças significativas entre os híbridos e entre os fatores agronômicos de manejo. A média de produtividade do ensaio foi de aproximadamente 15.269 kg/ha, equivalente a 254,5 sc/ha. O híbrido com maior produtividade média foi o P25300PWU, seguido por P3016VYHR e P39209PWU.

No P25300PWU, T3 e T4 apresentaram produtividades numericamente superiores a T1 e próximas à obtida em T5, o que indica que essas escolhas podem ter impacto para esse híbrido. Entretanto, T1, T3, T4 e T5 apresentam letras estatísticas em comum. Dessa forma, os resultados indicam uma tendência numérica de resposta ao acréscimo de nitrogênio e ao aumento da população, mas essa diferença em relação ao padrão do produtor não foi confirmada estatisticamente (Gráfico 1).

No P3016VYHR, não foram observadas diferenças significativas de produtividade entre os tratamentos. Nas condições do estudo, a inclusão isolada ou conjunta dos fatores avaliados não aumentou a produtividade em relação a T1. Isso indica que o padrão do produtor apresentou desempenho semelhante ao dos demais tratamentos e sugere a necessidade de avaliar outros fatores agronômicos de manejo para esse híbrido (Gráfico 2).

No P39209PWU, T4 apresentou a maior produtividade média. Esse tratamento foi superior a T2 e T3, mas não diferiu estatisticamente de T1 nem de T5. Portanto, o aumento da população apresentou vantagem numérica de 13,0 sc/ha em relação ao padrão do produtor, mas essa diferença não foi confirmada estatisticamente. Por se tratar de um híbrido novo e ainda em fase de estudos agronômicos, o resultado deve ser avaliado em outros ambientes e safras antes de sustentar uma recomendação mais ampla (Gráfico 3).

Estimativa financeira

Levando em consideração os fatores agronômicos de manejo que apresentaram as maiores respostas numéricas quando comparados a T1, a Tabela 4 apresenta a diferença de produtividade e o investimento adicional estimado para cada um deles.

A estimativa considera os preços do fertilizante nitrogenado, das sementes e da saca de milho indicados na tabela. Foram considerados positivos os cenários em que a diferença numérica de produtividade foi superior ao investimento adicional estimado.

No híbrido P25300PWU, os cenários referentes a T3 e T4 foram positivos. No P39209PWU, o cenário referente a T4 também foi positivo. No P3016VYHR, como os fatores avaliados não proporcionaram aumento de produtividade em relação a T1, os cenários com investimento adicional foram negativos.

Tabela 4 - Diferença de produtividade dos fatores agronômicos de manejo em relação a T1, investimento adicional estimado e cenário por híbrido.

Conclusão

Nas condições de ambiente e da safra avaliadas, considerando as respostas numéricas observadas e a estimativa financeira, as indicações entre os três fatores agronômicos de manejo avaliados, além de T1, seriam:

  • Híbrido P25300PWU: T1 mais aumento da população e/ou acréscimo de nitrogênio;
  • Híbrido P3016VYHR: somente T1;
  • Híbrido P39209PWU: T1 mais aumento da população*.

*Seguindo o posicionamento do híbrido.

Essas indicações estão restritas às condições locais e à safra avaliadas e devem ser validadas em outros ambientes e safras antes de sustentar recomendações mais amplas.

Imagem 2 - Integridade visual das plantas no momento da colheita | Fotos: Richard de Mello.

 

Imagem 3 - Espigas no momento da colheita | Fotos: Richard de Mello.

 

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Autor: Richard de Mello - Agrônomo de campo da Pioneer®.

Agradecimentos: RC João Zander, PTV Marcos Cotovicz e Fazenda Roseira - Produtores Marcos Pires & Mario Imark.

POWERCORE® é uma tecnologia desenvolvida pela Corteva Agriscience LLC e Monsanto. POWERCORE® é uma marca registrada do Grupo Bayer. Agrisure Viptera® é marca registrada da Syngenta Group Company. A tecnologia Agrisure® incorporada nessas sementes é comercializada sob licença da Syngenta Crop Protection AG. LibertyLink® e o logotipo da gota de água são marcas registradas da BASF. Roundup Ready® é marca registrada do Grupo Bayer.