Entre os anos de 2023 e 2025, o time de Agronomia e os representantes da Pioneer® realizaram a coleta de amostras de solo e de raízes nas culturas de soja e milho, em diferentes regiões do Brasil. Ao todo, 1.024 propriedades foram amostradas para análise.
Foram coletadas mais de 5.000 amostras de solo e de raízes em propriedades rurais distribuídas em 15 estados brasileiros, abrangendo as principais regiões agrícolas do País. As coletas foram realizadas preferencialmente no início do estádio reprodutivo das culturas, período em que o acúmulo populacional dos nematoides tende a ser mais representativo.
Todas as amostras foram encaminhadas a laboratórios de referência em nematologia, garantindo padronização analítica e confiabilidade dos resultados. Para a extração, identificação e quantificação dos nematoides, empregaram-se metodologias consolidadas na literatura científica: o método de trituração seguido de clarificação em centrífuga para a análise de raízes e o método de flotação em centrífuga para a extração a partir de amostras de solo.
Para a classificação da população relativa de nematoides, foi utilizada como referência a tabela adotada pelo time de Pesquisa da Corteva, que serve como medida padronizada dos níveis populacionais (Tabela 1). A pressão de nematoides em cada área foi classificada com base no número de indivíduos identificados nas análises, considerando separadamente cada gênero de nematoide.
Os níveis populacionais foram classificados nas categorias Alta, Média, Baixa e Zero, sendo esta última utilizada quando não houve detecção de nematoides nas análises.
Tabela 1 - Valores de referência utilizados para classificar os diferentes níveis de infestação de nematoides no solo (100 cm³) e nas raízes (1 g).
A análise integrada das três safras revelou um cenário amplamente preocupante: 98% das áreas amostradas apresentaram a presença de ao menos um gênero de nematoide, independentemente do tipo de solo ou da região. Além disso, 29% das áreas apresentaram níveis médios a altos de infestação, indicando risco direto à produtividade e à estabilidade dos sistemas de produção.
Figura 1 - Pressão e distribuição geográfica dos diferentes gêneros de nematoides encontrados nos locais amostrados nas safras 2023, 2024 e 2025.
O estudo evidenciou que os estados das regiões Norte e Centro-Norte (MG, MT, GO, BA, entre outros) apresentam níveis significativamente mais elevados de pressão de nematoides quando comparados aos estados do Sul e Sudeste (RS, SC, PR, MS e SP). Essa diferença confirma que o problema tende a ser mais severo e recorrente em regiões de clima mais quente, onde as condições ambientais favorecem o aumento contínuo das populações de nematoides ao longo das safras.
Ainda assim, níveis potencialmente prejudiciais de nematoides foram observados de forma generalizada em todas as regiões avaliadas (Figura 2), demonstrando que o risco agronômico não se limita apenas às áreas tradicionalmente reconhecidas como mais suscetíveis.
Figura 2 - Comparativo da pressão de nematoides entre as regiões Norte/Centro-Norte e Sul/Sudeste do Brasil, considerando dados das safras 2023, 2024 e 2025.
A ampla presença de nematoides demonstra que o problema deixou de ser pontual, tornando-se sistêmico e recorrente. Mesmo regiões tradicionalmente consideradas de menor risco apresentaram níveis potencialmente danosos, reforçando que:
Entre os principais gêneros identificados, destacam-se:
Figura 3 - Quantidade de amostras e distribuição dos níveis de infestação dos principais gêneros de nematoides identificados nas safras 2023, 2024 e 2025.
Figura 4 - Distribuição geográfica e nível de incidência do nematoide Helicotylenchus dihystera.
Trata-se do gênero mais frequentemente encontrado no estudo, com ampla distribuição pelo território nacional. Sua presença, embora considerada menos agressiva quando comparada à de Pratylenchus, é agronomicamente relevante devido à alta frequência de ocorrência e ao potencial de predispor o sistema radicular à entrada de patógenos.
Imagem 1 - Helicotylenchus dihystera (A) e Pratylenchus spp. (B) | Fotos: Jonathan Albert Bruno (A) e Carlos Guarnieri (B).
Figura 5 - Distribuição geográfica e nível de incidência do nematoide das lesões radiculares Pratylenchus spp..
Este foi o gênero de maior relevância agronômica no estudo, por dois motivos principais:
Essas características tornam Pratylenchus spp. um dos principais desafios fitossanitários atuais nas culturas de milho e soja.
Os nematoides parasitas vivem no solo e se alimentam das raízes, utilizando o estilete para perfurar os tecidos e extrair nutrientes. Os danos causados podem:
Os sintomas mais comuns incluem:
Imagem 2 - Crescimento atrofiado e morte em reboleiras em soja (A) e milho (B) | Fotos: Thiago Prado e José Madalóz.
Imagem 3 - Raiz de soja com presença de galhas ocasionadas por Meloidogyne spp. (A); raízes de milho com lesões ocasionadas por Pratylenchus spp. (B) | Fotos: Thiago Prado e José Madalóz.
Os resultados deste estudo demonstraram que níveis potencialmente prejudiciais de populações de nematoides estão presentes de forma ampla nas áreas de produção agrícola do Brasil. A depender dos níveis populacionais e do gênero de nematoide identificado na área, deve-se considerar a implementação de medidas de manejo, tais como:
A Pioneer® tem investido fortemente na caracterização do fator de reprodução (FR) de seus híbridos, permitindo um posicionamento mais assertivo e regionalizado (Figura 6). Além disso, os híbridos de milho Pioneer® estão disponíveis com tratamento de sementes contendo Lumialza®, produto biológico à base de Bacillus amyloliquefaciens (cepa PTA-4838), com atividade sobre as principais espécies de nematoides associadas à cultura do milho e proteção prolongada por mais de 80 dias nas zonas radiculares superior, média e inferior.
Figura 6 - Híbridos Pioneer® com fator de reprodução inferior a 1.
O mapeamento realizado entre 2023 e 2025 revelou que os nematoides estão amplamente distribuídos no Brasil, presentes em praticamente todos os ambientes produtivos. A elevada frequência de ocorrência e os níveis significativos de infestação, especialmente nas regiões de clima mais quente, reforçam a necessidade de:
Os resultados obtidos fornecem uma base técnica sólida para decisões mais assertivas no manejo de nematoides, contribuindo para a sustentabilidade, a produtividade e a maior estabilidade dos sistemas agrícolas.
Autor: Thiago Prado, agrônomo de campo Pioneer®.