A construção de lavouras de milho de alto potencial produtivo começa imediatamente após a semeadura.
É nesse período que se estabelecem o estande efetivo, a uniformidade de emergência e a integridade das plantas - fatores diretamente relacionados à capacidade da cultura de expressar seu rendimento máximo.
Nos estádios iniciais, o milho apresenta baixa capacidade de compensação frente a estresses bióticos. Danos precoces, mesmo quando visualmente moderados, podem resultar em perdas irreversíveis de produtividade. Por isso, estratégias de manejo que atuem desde a emergência são fundamentais para a construção de sistemas produtivos mais eficientes, estáveis e previsíveis.
Nesse contexto, a proteção da lavoura desde a semente assume papel central na preservação do potencial produtivo.
Lagartas até o terceiro ínstar causam danos menos severos, caracterizados principalmente por raspagens foliares, e apresentam maior suscetibilidade às estratégias de controle.
Após esse estágio, os insetos passam a se alojar no interior do cartucho, o que dificulta o alcance das aplicações foliares e aumenta a complexidade e o custo do manejo.
Esse comportamento reforça a importância de estratégias preventivas capazes de reduzir a população inicial da praga antes que ocorram escapes e danos mais severos.
Figura 1 - Escala de desenvolvimento de Spodoptera frugiperda | Fonte: Estação Experimental Corteva.
Figura 2 - Escala Davis é referência para avaliação de danos por lagarta-do-cartucho | Fonte: Pioneer®.
Os danos causados pela lagarta-do-cartucho podem ocorrer em praticamente todas as fases do milho. No entanto, os impactos mais críticos estão associados ao período inicial de estabelecimento da lavoura. Na fase inicial, entre a emergência e V6, a praga pode apresentar comportamento semelhante ao de lagartas-rosca, cortando as plantas rente ao solo, ou atuar de forma comparável à lagarta-elasmo, penetrando no caule e formando galerias internas, o que resulta no sintoma de “coração morto”. Esses danos provocam falhas de estande e desuniformidade inicial da lavoura.
O tratamento de sementes representa a primeira e mais estratégica etapa do manejo de lagartas no milho. Inserido no contexto do Manejo Integrado de Pragas (MIP), o TSI não substitui o monitoramento, mas cria uma base sólida de proteção, reduzindo a necessidade de intervenções corretivas precoces e aumentando a eficiência das demais ferramentas de manejo.
Figura 3 - Danos iniciais de lagarta-do-cartucho em milho: (A) lagarta atacando o coleto da planta; (B) sintoma de “coração morto”; (C) raspagem na base da plântula | Fotos: José Madalóz, 2025.
Aos 7 DAE, nas áreas tratadas com TSI completo (com Dermacor®), 100% das plantas apresentaram notas de severidade ≤ 2, indicando injúrias leves e plenamente controladas. Nesse cenário, a lavoura permaneceu abaixo do nível de ação, não havendo necessidade de intervenção foliar.
Em contraste, nas áreas sem o inseticida Dermacor®, 25% das plantas já apresentavam notas ≥ 3, ultrapassando o limiar técnico de intervenção. Esse resultado evidencia que, na ausência de proteção inicial, a lavoura atinge mais rapidamente o ponto em que a aplicação foliar se torna necessária.
Gráfico 1 - Distribuição percentual das notas de severidade (Escala Davis) aos 7 DAE | Fonte: Thiago Prado.
Aos 14 DAE, o diferencial entre os tratamentos tornou-se ainda mais evidente. As lavouras tratadas com Dermacor® mantiveram 85% das plantas com notas ≤ 2, permanecendo abaixo do limiar de 20% de plantas com notas ≥ 3, o que indica manutenção do controle e postergação da necessidade de aplicação foliar.
Por outro lado, nas áreas sem o inseticida Dermacor®, 90% das plantas apresentaram notas ≥ 3, caracterizando um cenário de alta pressão da praga, no qual a aplicação foliar tornou-se indispensável e antecipada, com maior risco de danos acumulados.
Gráfico 2 - Distribuição percentual das notas de severidade (Escala Davis) aos 14 DAE | Fonte: Pioneer®.
Figura 4 - Comparação visual do estabelecimento inicial do milho aos 14 DAE: (A) com Dermacor® e (B) sem Dermacor® | Fotos: Thiago Prado, 2025.
Aos 21 DAE, observa-se o impacto acumulado do manejo inicial. Nas áreas com TSI + Dermacor®, embora 100% das plantas apresentem notas ≥ 3, há predominância de danos moderados e distribuição mais equilibrada das notas de severidade, refletindo maior capacidade de sustentação do estande, preservação da área foliar funcional e melhor recuperação fisiológica das plantas.
Nas áreas sem inseticida, a severidade concentra-se em notas mais elevadas, indicando danos acumulados, maior destruição do cartucho e aumento do risco de perdas produtivas. Esse cenário é consequência direta do avanço precoce da praga e da necessidade de intervenções mais antecipadas e intensas.
Gráfico 3 - Distribuição percentual das notas de severidade (Escala Davis) aos 21 DAE | Fonte: Pioneer®.
Gráfico 4 - Evolução da severidade de danos ao longo dos estádios iniciais do milho | Fonte: Pioneer®.
Os resultados demonstram que o TSI com Dermacor®:
Recomendações práticas:
Autor: Thiago Prado, agrônomo de campo Pioneer®.