Figura 1 - Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) | Foto: Marlin E. Rice.
Figura 2 - Percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus) | Foto: Josemar Foresti.
Figura 3 - Dano leve causado por percevejo-barriga-verde | Foto: Josemar Foresti.
Figura 4 - Dano severo causado por percevejo-barriga-verde | Foto: Josemar Foresti.
O experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar a relação entre a profundidade de semeadura do milho e o nível de dano causado pelo percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura.
O material genético utilizado foi o híbrido P3845VYHR (R2/C2), com tratamento de sementes realizado com Rancona® + Maxim®. A semeadura foi conduzida de forma escalonada, permitindo que todas as plantas atingissem simultaneamente os estádios fenológicos desejados no momento da infestação, garantindo uniformidade experimental.
O delineamento experimental adotado foi inteiramente casualizado, com quatro repetições. Cada repetição foi protegida com uma gaiola (Figura 5), contendo oito plantas por unidade experimental. Em cada gaiola foram liberados quatro percevejos, correspondendo a uma infestação equivalente a 0,5 inseto por planta.
Os tratamentos consistiram em quatro profundidades de semeadura - 2,5 cm, 5,0 cm, 7,5 cm e 10,0 cm (Tabela 1). Para cada profundidade, a infestação foi realizada em três estádios fenológicos da cultura, correspondentes a V1, V2 e V3 (Tabela 1). O número de dias até a emergência variou conforme a profundidade de semeadura, sendo observados 4, 5, 6 e 7 dias para 2,5 cm, 5,0 cm, 7,5 cm e 10,0 cm, respectivamente.
Figura 5 - Gaiola de proteção utilizada para evitar a saída e a entrada de insetos durante o período de avaliação | Foto: Josemar Foresti.
As avaliações de dano foram realizadas aos 7, 14, 21 e 28 dias após a infestação (DAI). O critério adotado foi a utilização de uma escala visual de severidade variando de 1 a 8 (Figura 6), considerando sintomas como descoloração foliar, redução de crescimento, perfilhamento, deformações e morte do ponto de crescimento. Essa metodologia permitiu a quantificação do impacto do ataque do percevejo sobre o desenvolvimento inicial da cultura do milho.
Adicionalmente, foi avaliada a porcentagem de germinação em função das diferentes profundidades de semeadura, possibilitando a análise conjunta do efeito da profundidade tanto sobre o estande inicial quanto sobre o nível de dano causado pelo inseto.
Tabela 1 - Descrição dos tratamentos em função da profundidade de semeadura e do estádio fenológico no momento da infestação.
Figura 6 - Escala de dano (1 a 8), em que 1 corresponde a planta sem dano e 8 a planta morta.
Gráfico 1 - Avaliação do percentual de germinação em função da profundidade de semeadura.
Gráfico 2 - Avaliação do dano causado por percevejo no estádio V1.
Gráfico 3 - Avaliação do dano causado por percevejo no estádio V2.
Gráfico 4 - Avaliação do dano causado por percevejo no estádio V3.
Gráfico 5 - Avaliação do dano causado por percevejo nos estádios V1, V2 e V3.
Figura 7 - Estádio de desenvolvimento das plantas nas profundidades de 2,5 cm, 5,0 cm, 7,5 cm e 10,0 cm | Foto: Josemar Foresti.
Os resultados deste trabalho indicam que a profundidade de semeadura do milho influencia diretamente tanto o estande de plantas quanto o nível de dano causado pelo percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura.
A semeadura mais profunda (10,0 cm) promoveu redução de 20% do estande (Gráfico 1), com impacto negativo sobre a emergência e o estabelecimento das plantas. Por outro lado, profundidades mais superficiais (2,5 a 5,0 cm) apresentaram maior intensidade de danos causados pelo percevejo (Gráficos 2 e 3).
Em condições de alta pressão populacional do inseto, a semeadura a 7,5 cm (Gráfico 4) mostrou-se uma alternativa tecnicamente viável para a redução dos danos, sem comprometer de forma crítica o estande, desde que as condições de solo e umidade sejam adequadas.
Dessa forma, os resultados reforçam que a profundidade de semeadura deve ser definida de maneira integrada, considerando o risco de infestação por percevejo, as condições ambientais e o impacto sobre a emergência. Não se recomenda a adoção indiscriminada de profundidades excessivas como estratégia isolada de manejo.
Em relação aos estádios de desenvolvimento, o dano foi mais intenso quando a infestação ocorreu em V1, reduzindo-se nos estádios V2 e V3 (Gráfico 5). O pré-teste indicou que, a cada incremento de 2,5 cm na profundidade de semeadura, houve aumento de um dia no tempo até a emergência das plantas (Figura 7).
Maxim® XL é marca registrada da Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. Rancona® é uma marca registrada de Arysta LifeScience, Inc. e distribuído pela Corteva Agriscience.