O pleno sucesso de uma silagem a campo depende de diversos fatores, tais como planejamento, escolha do híbrido, manejo da lavoura, época e altura de colheita, processos de ensilagem, fechamento e tempo de abertura do silo e, finalmente, análise bromatológica.
A análise bromatológica é uma radiografia de todos os processos envolvidos citados anteriormente e permite medir a qualidade final da silagem. É por meio dela que se faz a estimativa de consumo e o balanceamento da dieta dos animais ao longo do ano, principalmente em sistemas confinados.
Uma silagem de alta qualidade proporciona ao produtor maior participação desse alimento na dieta total, favorecendo economia e eficiência, além de contribuir para maior teor de sólidos no leite e animais mais saudáveis, devido à estimulação da ruminação, refletindo em melhor desempenho produtivo e reprodutivo, com maior rentabilidade.
Saber interpretar o laudo significa não apenas estimar o consumo e balancear uma dieta total, mas também revisar processos para melhoria contínua, além de permitir a seleção dos híbridos mais adequados para cada região ou realidade produtiva.
É o primeiro item a ser observado no laudo e indica em que estágio a silagem foi colhida, bem como a qualidade do manejo e o potencial produtivo. Representa tudo o que a planta acumula, exceto água.
As dietas são calculadas com base no consumo de matéria seca pelos animais.
A janela ideal de colheita geralmente está entre 32% e 38% de MS, sendo considerada ideal em torno de 35%, ou baseada na posição da linha de leite do grão, entre 1/2 e 3/4 farináceo.
Quando a colheita ocorre antes de 32% de MS, a silagem tende a apresentar menor valor energético, menor acúmulo de amido e fermentação inadequada, devido à maior produção de efluentes ocasionada pelo elevado teor de água.
Quando a colheita ocorre após 38% de MS, há maior acúmulo de amido, porém ocorre redução na digestibilidade da fibra e dos grãos, comprometendo o consumo e o aproveitamento pelos animais.
Formado pela presença de grãos na silagem, os grãos contêm aproximadamente 70% de amido, representando cerca de 65% da energia da silagem.
Os valores ideais estão acima de 30%, sendo recomendável entre 33% e 38% para silagem de milho.
Possui relação direta com produção e conversão de leite e carne.
Mede quanto do amido é degradado no rúmen após sete horas de incubação.
O amido representa uma fonte rápida de energia e uma fração de alta digestibilidade, desde que os grãos sejam abundantes e adequadamente processados.
O valor ideal é acima de 70%, não devendo ficar abaixo de 60%.
A Fibra em Detergente Neutro (FDN) corresponde à fração fibrosa da planta, composta basicamente pela parede celular formada por celulose, hemicelulose, pectina e lignina.
Possui relação direta com consumo. Normalmente, o potencial de consumo situa-se entre 1,0% e 1,2% do peso vivo do animal em FDN.
Valores elevados limitam o consumo devido à menor digestibilidade quando comparados aos carboidratos, açúcares e proteínas.
Valores baixos apresentam maior digestibilidade em função da menor presença de fibras na dieta.
Isso significa que esse parâmetro pode ser influenciado pela altura de colheita ou pelo teor de MS no momento da colheita.
Os melhores valores de referência variam entre 38% e 42%, não devendo ultrapassar 50%.
A Fibra em Detergente Ácido (FDA) está relacionada à digestibilidade da FDN e mede a fração de menor digestibilidade, composta principalmente por celulose e lignina.
Valores elevados indicam menor digestibilidade.
Valores reduzidos apresentam maior digestibilidade devido à menor presença de lignina, proporcionando melhor aproveitamento dos nutrientes.
Também pode ser influenciada pela altura de colheita ou pelo teor de matéria seca.
Os melhores valores de referência variam entre 18% e 25%, não devendo ultrapassar 30%.
Representa a fração indigerível da parede celular da planta.
Valores ideais são ≤ 3%, não devendo ultrapassar 5%.
Denominada Digestibilidade da Fibra em Detergente Neutro em 30 horas, corresponde aproximadamente ao período em que a fibra permanece no rúmen.
O valor ideal é em torno de 60%, não devendo ficar abaixo de 55%.
Segundo o Prof. Shaver (EUA), cada aumento de 1% na DFDN equivale a aproximadamente 250 g de leite e 181 g de MS por vaca/dia.
Digestibilidade da Fibra em Detergente Neutro após 48 horas, medida padrão do manual NASEM (antigo NRC).
Avalia quanto dessa fibra é aproveitada após incubação no rúmen por 48 horas.
O valor ideal é acima de 60%.
Denominada fração indigestível da Fibra em Detergente Neutro (FDN) após 240 horas, corresponde à parcela eliminada pelo animal.
Mede o quanto desta fibra é aproveitada pelos animais e possui relação direta com o consumo voluntário.
Os valores ideais são inferiores a 12%.
Denominada digestibilidade total da fração FDN, mede o quanto dessa fibra é totalmente aproveitada pelos animais e possui relação direta com o consumo voluntário.
Valores ideais são superiores a 40%.
Segundo os autores Combs e Goesel, cada aumento de 2% a 3% em TTNDFD representa aproximadamente 0,5 kg de leite/cabeça/dia.
Os valores geralmente variam entre 2% e 4%.
Também chamada de Resíduo Mineral, Matéria Mineral ou Minerais do alimento, é composta por cálcio, potássio, magnésio, sódio, fósforo, zinco, cobre, manganês, entre outros.
Esses componentes participam dos cálculos nutricionais e seus valores normalmente ficam em torno de 4%.
Quando os valores ultrapassam 6% a 7%, podem indicar contaminação da silagem por terra.
A Proteína Bruta (PB) está relacionada principalmente às folhas e aos grãos.
Na silagem de milho, normalmente não é um parâmetro de maior relevância, pois os valores geralmente são baixos, em torno de 7,5%.
De forma geral, apresenta relação inversa com amido e energia.
A Proteína Digestível (%PD) representa a parcela da proteína bruta efetivamente aproveitada pelos animais.
Os Carboidratos Não Fibrosos (CNF) representam carboidratos ou fontes de energia rapidamente disponíveis que não pertencem à fração fibrosa.
Incluem amido, açúcares, pectinas e ácidos orgânicos presentes na silagem.
Os valores ideais são superiores a 40%.
A Energia Líquida (EL) mede o valor energético efetivamente disponível para os animais após descontadas todas as perdas.
Os valores ideais são superiores a 1,5 Mcal/kg.
A análise dos ácidos presentes na silagem deve ser realizada por cromatografia em bancada química laboratorial.
Equipamentos NIRS não apresentam precisão adequada para esse tipo de análise.
Essas informações são importantes para avaliação do processo fermentativo e da qualidade da silagem.
O ácido lático deve representar aproximadamente 60% da soma total dos ácidos presentes, com valores entre 3% e 6%.
O ácido acético deve ficar entre 1% e 3%, o ácido propiônico em torno de 0,1% e o ácido butírico, preferencialmente, próximo de 0%.
O pH deve permanecer entre 3,7 e 4,2, enquanto o NH3-N deve representar entre 5% e 7% do nitrogênio total.
Mede a capacidade de conversão da silagem em energia para produção de leite, com base nos sistemas Milk 2006 e Milk 2024 (EUA).
Os valores ideais são observados em silagens com capacidade de conversão superior a 1.600 kg de leite/t de MS consumida ou 1,6 kg de leite/kg de MS consumida.
Mede a capacidade de conversão da silagem em energia para produção de carne, com base no sistema Beef 2019 (EUA).
Os valores ideais são observados em silagens que convertem acima de 100 kg de carne/t de MS consumida.
A Pioneer®, por meio da plataforma A Força da Silagem, auxilia produtores, consultores e profissionais da nutrição no planejamento forrageiro, fornecendo informações e subsídios relacionados ao desempenho, rendimento e qualidade bromatológica dos híbridos por região.
Autor: Dimas Cardoso, especialista em silagem Pioneer®.
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